sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A casa dos meus sonhos



Amélia, era irmã do meu avó e madrinha da minha mãe. Fazia bombons, doces deliciosos, tinha mil cacarecos dentro de casa, ah, a casa...
Ela morava numa casa de madeira no meio da cidade. Não era exatamente no meio, mas num canto da cidade, numa rua de asfalto. Sem muros, a casa tinha um gramado bem verdinho, e flores, muitas flores no jardim.
Eu ficava impressionada com a casa de madeira, não por nunca ter visto uma, porque outros parentes também moravam em casas de madeira no sítio, alguns até na cidade. Mas aquele jardim... Aquelas flores... Aquele bombom de leite ninho que ela tanto falava e eu nunca comi! (Mas ganhei a receita!)
Eu passava o ano inteiro falando pra minha mãe que queria morar lá. Que achava a casa da tia Amélia era a mais linda do mundo, que parecia uma casa de bonecas... E depois minha mãe contava pra ela, e ela me convidava pra morar lá, com ela. Imagine, que ideia boa! Tinha uma escola lá em frente mesmo, eu não teria trabalho algum.
Tia Amélia também “criava” lactobacilos vivos! E era dessas que tinha uma plantinha pra cada dor que ela sentia no jardim, e fazia um chá delicioso.
Sonhei por muito tempo em encher o jardim da minha tia-avó de pisca-pisca, e construir uma casa na árvore.
 E no meio dessa chuva de lembranças do jardim, e da casa de madeira, me veio uma curiosidade tremenda: como será que está a casa nos dias de hoje, já que Tia Amélia foi morar junto com meu Avô, em um lugar de impossível acesso por nós?  Procurei no Google Street View, e ele ainda não passou por lá.

Ou vou ter que conferir ao vivo, ou melhor ainda: a casa vai continuar viva, nas minhas lembranças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário