Amélia, era
irmã do meu avó e madrinha da minha mãe. Fazia bombons, doces deliciosos, tinha
mil cacarecos dentro de casa, ah, a casa...
Ela morava
numa casa de madeira no meio da cidade. Não era exatamente no meio, mas num
canto da cidade, numa rua de asfalto. Sem muros, a casa tinha um gramado bem
verdinho, e flores, muitas flores no jardim.
Eu ficava
impressionada com a casa de madeira, não por nunca ter visto uma, porque outros
parentes também moravam em casas de madeira no sítio, alguns até na cidade. Mas
aquele jardim... Aquelas flores... Aquele bombom de leite ninho que ela tanto
falava e eu nunca comi! (Mas ganhei a receita!)
Eu passava
o ano inteiro falando pra minha mãe que queria morar lá. Que achava a casa da
tia Amélia era a mais linda do mundo, que parecia uma casa de bonecas... E
depois minha mãe contava pra ela, e ela me convidava pra morar lá, com ela.
Imagine, que ideia boa! Tinha uma escola lá em frente mesmo, eu não teria
trabalho algum.
Tia Amélia
também “criava” lactobacilos vivos! E era dessas que tinha uma plantinha pra
cada dor que ela sentia no jardim, e fazia um chá delicioso.
Sonhei por
muito tempo em encher o jardim da minha tia-avó de pisca-pisca, e construir uma
casa na árvore.
E no meio dessa chuva de lembranças do jardim, e da casa de
madeira, me veio uma curiosidade tremenda: como será que está a casa nos dias
de hoje, já que Tia Amélia foi morar junto com meu Avô, em um lugar de
impossível acesso por nós? Procurei no Google Street View, e ele ainda não passou por
lá.
Ou vou ter
que conferir ao vivo, ou melhor ainda: a casa vai continuar viva, nas minhas
lembranças.
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