quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Figurinhas e figurões, parte 2 - a missão.


Seu Fernando – O pintor
Ele é o pintor da rua debaixo, e ele foi o único a ter a honra de pintar minha casa. Foi dele a ideia de passar aquela tinta brilhante a prova de crianças, foi ele que estava colorindo as paredes no famoso episódio do cheiro forte de tinta em que eu tive que dormir na vizinha – com um ano e meio – e deixei de usar fraldas.
Ele fala just a little enrolado, e conversar com ele sempre foi um desafio. Como metade dos outros “personagens” do meu bairro, ele também tem épocas de me chamar de ‘menina’. Mas ele me conhece pelo nome, e sempre pergunta da família inteira.
O cara tem bom gosto pra cor da casa, e quando eu ganhei um quarto, foi ele que ajudou a convencer meu pai a pintar de alguma cor que não branco, e ajudou também a escolher a cor das paredes.
Sempre de bem com a vida, conhece todos os meus tios pelo nome (não tenho ideia se ele conhece de fato todos eles, mas...), e também já pintou o apartamento onde minha irmã morou com a minha madrinha, e depois o atual cafofo dela.
A faixada da casa dele está sempre pintada, e de vez em quando, ele surge no meio da rua, dentro do ônibus, no bar da esquina... E conversa. Mesmo que eu não entenda muito do que ele fala, também converso. E no final, ele manda um “manda um abraço pro Seu Tadeu e pra Dona Madá!”. Então tá, Seu Fernando.


Seu Hirata – o japa mór 
O japa-chefe dos meus vizinhos. Ele tem cara de bravo, carro de bravo, portão de bravo... Mas, segundo meu pai, é hiper gente boa. Ele sempre me cumprimentou em japonês, logo, eu nunca sabia bem o que responder. Ele tinha um topetão meio anos 60, com aquele cabelo preto-japa e uma faixa branca de galã de cinema. Esses tempos ele ficou doente, e parou de fazer sua caminhada matinal.


Dona Lindaura & Seu Martinho – os vizinhos
Ambos baianos, eles são minha primeira memória de um sotaque diferente do paulistano e ou paranaense. Eles também são da época que eu era fissurada por casas-sobrado... Me traziam de carona da missa, da catequese, e na casa deles tinham sempre orações com muita gente e comida boa... Principalmente em novena de natal (acho que vou ter que fazer um post só sobre as novenas de natal, imperdíveis.), e a sala da Dona Lindaura sempre ganhava no meu concurso de “sala mais bonita da novena”, eles tem três filhos – acho que são três – e um deles era legal e engraçado, e vivia aqui em casa jogando vídeo game meu irmão. E abria a porta da varanda pra eu brincar de boneca com as outras crianças da novena (tem como ser mais legal que isso na vida?).
Dona Lindaura me emprestava dinheiro pra ir ao inglês quando eu comprava todo o dinheiro da passagem em revistas ou figurinhas, me dava bolo, e era ela que entregava a Santinha aqui em casa.
Seu Martinho tinha uma fábrica aqui na rua, e queria comprar minha casa, o terreno que meu pai tinha aqui do lado, e talvez brincar de War com o território da minha rua.
Uma vez, a Dona Lindaura errou o aniversário da minha mãe, e chegou aqui em casa com um vaso de flores, um buquê, uma bíblia e uns docinhos... hahahaha
Eles se mudaram, e de vez em quando, ainda aparecem por aqui. 




E não é que ainda tem gente saindo pelo ladrão na minha memória? Quem sabe uma parte três um dia desses?

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