domingo, 23 de agosto de 2015

despedida - de Su pra Su

Não existe pensar nela sem lembrar de pinturas de Monet. E charmosas senhoras belamente vestidas e apaixonadas por flores. Uma doçura difícil de entender. Principalmente no meu lugar: a menina de 18 anos apaixonada pelo primeiro namorado. 

Que amor era aquele? Que se estende a quem for? Que sufoca qualquer um? 
Como compreender tanta dedicação vindo de um lugar tão diferente? 
Não é hora de santificar ninguém, tivemos muitos momentos chatos. 

Mas foi você quem me mostrou o significado do perdão verdadeiro. Do carinho por alguém que nem sempre te fez sentir bem, mas que sempre te quis bem.
Como esquecer a mulher doce e sorridente dos achadinhos das lojas sujinhas da zepa? Como esquecer a sogra que trocou meu nome de propósito? Como lembrar sem chorar da mulher que me disse palavras tão doces em momentos tão difíceis? 

Como não pensar que toda aquela vontade de viver e de sentir cada pequeno detalhe não vai conhecer os netos? Não vai estar junto do seu Caco até a velhice, não vai poder mais cozinhar pros filhos. Não vai mais poder visitar a mãe, o pai, a irmã? 

Que tristeza eu senti esse fim de semana, Sussuka. 
Que vontade de te abraçar, aquele abraço que era pra ser e não foi. 
Fique bem, conte comigo. 

Eternidade a dentro,
Su.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

perguntas

Quantas paixões platônicas cabem no meu 2015? 
Fico pensando se devo citar nomes, ou se corro o risco de um dia cometer a insanidade de tornar isso público.

Quanto tempo falta pra eu ter meu irmão por perto? 
Também tenho medo que alguém leia isso em 2035 e siga sem saber que eu tenho um irmão.

Quantas viagens farei até dezembro de 2016? 
Todas as que puder e mais umas 4, por favor.

Caixinha de lembranças (que não são minhas)

Morri.
Deixei três filhos e o cargo de primeira dama da cidade do Rio de Janeiro. 
Professora universitária na capital francesa, eu viajava num dos trens mais seguros do mundo. Rápido, fatal. Deixei João Vicente, Tom e Maria Tereza. Cadu, também. Desolado e sem rumo, hoje ele busca minha essência por onde passa.
A preocupação de mostrar aos filhos quem fui ocupa seu tempo. 

Mal sabe ele das cartas que deixei.

outro dia

Outro dia achei que por erro ou bobagem
Tinha esquecido a chave desse diário por aí

Alguém descobriu meu segredo
Alívio e dor
Ansiedade e sobriedade

Nenhum discurso
A pele sendo preparada pro desastre
Praça pública.

E nada aconteceu.


(Sobre prints e esquecimentos)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

amanhã

por hoje eu não quero morrer.
por hoje vivo de paixão platônica provavelmente não correspondida.
por hoje quero uma virada de ano viajando sozinha.
por hoje tô ouvindo Caetano.
por hoje pensei em escrever um livro com todas as minhas personagens.
por hoje é só.