Depois de ter ido ao Instituto Tomie Ohtake ver Obsessão Infinita, fiquei bastante curiosa pra saber onde mais poderia encontrar a pop art da Yayoi Kusama.
Confesso que nem tudo que estava exposto no prédio rosa que encanta quem passa pelas redondezas na Vila Madalena, me encantou. Posso dizer também que me faltaram drogas pra entender. rs
Mas agora tudo que tem o nome dela me deixa curiosa. E é sobre isso que escrevo hoje: a vontade de comprar Aventuras de Alice no País das Maravilhas ilustrado por ela. A escolha não poderia ser mais adequada, Alice, a psicodélica, e Yayoi.
O livro está sendo chamado de um dos maiores lançamentos editoriais do ano, e eu, como entusiasta de ilustrações que trazem um contato intenso com o livro físico, estou louca pra ver.
Lewis Carroll, a vanguarda da literatura no século 19 + Yayoi Kusama, pioneira da pop art do século 20 = um grande livro do século 21 :)
Eu quero!
sábado, 30 de agosto de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Sem o efeito do remédio, nem revisão - minhas idéias confusas sobre hoje e sempre.
E agora ja nem lembro mais qual ex namorado elogiava minha cintura toda vez que eu emagrecia. Talvez virem todos uma coisa so, parte de um passado que me fez chegar ate aqui, mas que não tem mais cara.
Na verdade eu nao lembro mais de mim também. Tenho tido pensamentos soltos sobre quem eu era, e nao me recordo. Como se tivesse passado por um trauma, meu passado recente, amigavelmente fugiu de mim.
Voltei - confesso - a viver numa realidade paralela sempre que posso. As vezes tenho família, filhos, um apartamento em Copacabana e uma exposição num lugar importante de nova Iorque. Outras tantas fugi e fui morar na praia, tenho uma profissão e sempre recebo muitos amigos, falo com muitas pessoas e sou muito admirada.
E ai esta o x da questão. Quando vou conseguir estar no centro de varias pessoas de novo? Isso me causa náusea, tenho preguiça, e ela vem de dentro. Nao sei mais tentar interagir com as pessoas pra conta algo de mim. Nao se tem duas pessoas ou mais. Exceto umas raras piadas sobre a doença, eu pouco tenho me colocado.
Aquela velha necessidade de se mostrar (e nao mostrar porra nenhuma) se foi, nao sei pra onde.
Tenho tolerado e gostado de pessoas mais contidas. Falado mais do que realmente sinto. E tem sido uma aventura, apesar de estar silenciosa - essa é uma perspectiva dos outros, nao a minha.
Nao sei mais como agir. Nao sei mais o que essa Suzane gosta. Tenho sentido muita vontade de comer comida japonesa, por exemplo, coisa que sentia no máximo uma vez ao ano. Também sinto muita saudade das minhas amigas (que são bem poucas agora, e eu gosto disso). Sinto que preciso entrar em contato comigo. E sei que elas podem me ajudar a lembrar como ser eu.
Alguns dias me sinto tao doente, que nao sei me separar da depressão. Nao sei entender meus pensamentos, nao consigo nao ser negativa.
... Pelo menos os remédios tem me ajudado a nao fazer merda. E a ter discernimento, também. Sei o que é melhor pra mim - agora sempre antes de me machucar. Nao sinto saudade da velha Suzi, e as vezes sinto vergonha dela, que permitia que tantas pessoas a invadissem, sem ao menos perceber que estava sendo machucada.
Estou metódica, e sinto que preciso desse excesso de rotina pra nao perder o fio da miada nisso de "ser alguém"... Como é difícil essa consciência que esse remedio me trouxe. Confesso que por algumas vezes me senti aliviada por ter me adaptado ao remedio, e confesso também que tenho adiado a consulta por estar confortável no meu estado "nuvens".
Nao deveria estar escrevendo isso aqui, nao deveria confessar nem a mim mesma que nao sei o que fazer com o tempo que ganhei desde que estou medicada, com essa atenção toda. Isso me entristece. Sinto que nao sei ser, e me parece que todas as pessoas sabem como ser.
Como pude me dar mal nessa tarefa que parece tão fácil pra todos?
Acho que minha "vida" - essa coisa estranha que ora eu olho com atenção, ora nao estou nem aí - se parece demais com as musicas dos Mutantes: com letras estranhas e ritmos as vezes rápidos e as vezes lentos. Com letras malucas.
"Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer!"
Enviada do meu iPhone
Na verdade eu nao lembro mais de mim também. Tenho tido pensamentos soltos sobre quem eu era, e nao me recordo. Como se tivesse passado por um trauma, meu passado recente, amigavelmente fugiu de mim.
Voltei - confesso - a viver numa realidade paralela sempre que posso. As vezes tenho família, filhos, um apartamento em Copacabana e uma exposição num lugar importante de nova Iorque. Outras tantas fugi e fui morar na praia, tenho uma profissão e sempre recebo muitos amigos, falo com muitas pessoas e sou muito admirada.
E ai esta o x da questão. Quando vou conseguir estar no centro de varias pessoas de novo? Isso me causa náusea, tenho preguiça, e ela vem de dentro. Nao sei mais tentar interagir com as pessoas pra conta algo de mim. Nao se tem duas pessoas ou mais. Exceto umas raras piadas sobre a doença, eu pouco tenho me colocado.
Aquela velha necessidade de se mostrar (e nao mostrar porra nenhuma) se foi, nao sei pra onde.
Tenho tolerado e gostado de pessoas mais contidas. Falado mais do que realmente sinto. E tem sido uma aventura, apesar de estar silenciosa - essa é uma perspectiva dos outros, nao a minha.
Nao sei mais como agir. Nao sei mais o que essa Suzane gosta. Tenho sentido muita vontade de comer comida japonesa, por exemplo, coisa que sentia no máximo uma vez ao ano. Também sinto muita saudade das minhas amigas (que são bem poucas agora, e eu gosto disso). Sinto que preciso entrar em contato comigo. E sei que elas podem me ajudar a lembrar como ser eu.
Alguns dias me sinto tao doente, que nao sei me separar da depressão. Nao sei entender meus pensamentos, nao consigo nao ser negativa.
... Pelo menos os remédios tem me ajudado a nao fazer merda. E a ter discernimento, também. Sei o que é melhor pra mim - agora sempre antes de me machucar. Nao sinto saudade da velha Suzi, e as vezes sinto vergonha dela, que permitia que tantas pessoas a invadissem, sem ao menos perceber que estava sendo machucada.
Estou metódica, e sinto que preciso desse excesso de rotina pra nao perder o fio da miada nisso de "ser alguém"... Como é difícil essa consciência que esse remedio me trouxe. Confesso que por algumas vezes me senti aliviada por ter me adaptado ao remedio, e confesso também que tenho adiado a consulta por estar confortável no meu estado "nuvens".
Nao deveria estar escrevendo isso aqui, nao deveria confessar nem a mim mesma que nao sei o que fazer com o tempo que ganhei desde que estou medicada, com essa atenção toda. Isso me entristece. Sinto que nao sei ser, e me parece que todas as pessoas sabem como ser.
Como pude me dar mal nessa tarefa que parece tão fácil pra todos?
Acho que minha "vida" - essa coisa estranha que ora eu olho com atenção, ora nao estou nem aí - se parece demais com as musicas dos Mutantes: com letras estranhas e ritmos as vezes rápidos e as vezes lentos. Com letras malucas.
"Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer!"
Enviada do meu iPhone
domingo, 17 de agosto de 2014
Mais um dia.
E eu continuo a precisar de muitas respostas. O que será de mim, afinal?
Quantos dias mais essa sensação de nada vai me acompanhar por onde eu for?
Quantos outros fins de semana eu vou ficar assim, meio fora do ar?
Tenho aproveitado como posso. Me sentindo infantil, sem planos. Sem muita vontade de ter compromissos, mas sentindo uma imensa saudade de tudo que nunca tive - uma família só minha, alguém pra amar desde o abrir dos olhos até o carinho pré-sono. Carrego a sensação de que há alguém por aí que me pertence. E essa saudade dói, aperta.
Não sei mais o que fazer. Não tenho mais vontade de me aventurar por aí, pelanoite. Tudo parece frio e me amedronta. Não encontro disposição... Sei lá o que será de mim nos próximos dias. Tenho pensado em desistir. Não sei o que fazer com essa vontade.
Preciso de muitas respostas.
domingo, 3 de agosto de 2014
Igual-desigual - dia vinte
Eu desconfiava:
(...)
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
(...)
Drummond.
Uma verdade pra esse domingo: todos os rompimentos são iguais, igualíssimos. E eu me cansei.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Dia dezoito.
Não passou.
E eu não acho mais normal viver assim, chorando e angustiada.
Que merda! Que merda.
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