quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Figurinhas e figurões

Essa semana, por estar de férias, e eventualmente precisar dar as caras nas ruas do bairro,  tive contato com figurões da minha infância. Somado ao bom dia/boa tarde rotineiros, alguns deles até puxaram algum papo, devido a morte do meu tio, na semana passada. 
Apesar de não viver em uma cidade oficialmente pequena, uma família com dez filhos chama a atenção de alguma forma, e meus tios e tias são bem conhecidos pelo bairro. rs

Dona Isabel - A costureira
Japonesa, baixinha, com o cabelo sempre chanel e de franjinha. Minha mãe era frequentadora assídua do seu "ateliê", e eu sempre ganhava balas, então, gostava muito. O marido dela, o qual o nome eu não lembro, era funileiro&carpinteiro, e brother de um dos meus tios mais velhos. O quintal mais bem enceirado que eu vi e a famosa placa "trazer calça limpa, obrigada" que fez minha imaginação pensar por muitas vezes que seus clientes levavam calças cheias de barro pra ela fazer a barra., calendários em japonês, ela falando com as pessoas (que deviam ser seus filhos) do andar de cima da sua casa, em japonês!  

Negão - O dono da mercearia da rua de baixo
Ele tem uma mercearia, e apesar do apelido, não é tão negão assim, rs. Era o templo da tubaína vendida a 0,50, e eu sempre ia lá comprar UM ovo, UM leite, UM leite condensado... E sempre morria de vontade de comprar um Yakult também. Quando o negão tava fechado, existia a opção de bater na porta da casa dele, que ficava ao lado, pequena, mas do mesmo material de porta de bares: um baralho horrível, e a chance da esposa dele atender (deu pra perceber que esse era meu medo?). Ele me chamava de menina, e era uma aventura ir até lá. Algumas vezes eu levava meu gatinho, e voltava pelo outro lado do quarteirão, e me achava hiper radical e fugitiva.

Dona Zefa
Uma velhinha de cabelo todo branco que mora na minha rua, e que anos depois descobri que ela é até avó de um amigo meu. Minha mãe, como mora aqui  nessa rua há teeeeeeeeeeempos, conhece todos os moradores, e a dona Zefa é uma dessas. Minha mãe  é daquele tipo de pessoa que veio do interior, mas não perde o hábito de visitar doentes, ligar pra família de falecidos, visitar neném-neto do vizinho quando nasce etc e tal. Aí entra a Dona Zefa, que tinha uma filha com alguma doença, que eu não tenho a miníma ideia de qual seja... Ela vivia de cama, e tenho algumas memórias de que ela falava um pouco, mas não tenho certeza. A senhorinha charmosa de cabelos brancos e vestidos azuis, tinha uma família cheia de restrições alimentares, acho que pode até ser diabetes... E na casa dela nada tinha sal, nem açúcar... E sempre que eu ia lá, me encantava com a cara bonita da comida,  e rolava aquele momento primeira-mordida-traumatizante, e eu tinha vontade de cuspir... 

O Protético
Outro vizinho, e eu não entendia como alguém podia ter um nome tão estranho! hahahahahha Ele é daqueles caras combo: grande-alto-tatuado-cara de bravo. Ele sempre cumprimentava meus pais, mas eu tinha medo, porque ele empinava pipa, e brigava por pipa com a meninada do bairro!


Ainda tenho que falar do Seu Fernando, do Seu Hirata e sua trupe de japas, da Dna Lindaura e do Seu Martinho, mas fica pra um próximo post.

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