Primeiro eu fui tomar banho pensando em te escrever. Não mais um sms, como foi hábito por tanto tempo. Aí pensei em um e-mail. Mas pra que? Eu gostaria de receber um e-mail seu, agora? Sim, muito. Mas não me faria nada bem, não mesmo. Eu tô tentando ser sensata, e um e-mail causaria ansiedade, dor de cabeça, dor de barriga... Lágrimas. Tudo que não me fez um pingo de bem nos últimos meses.
Desisti do e-mail.
Pensei em gravar minha voz, pra mim mesma. Mas e minha voz de pata rouca?
Desisti da gravação.
Um vídeo? ...Nem pensar.
Aí, eu desisti da ideia de te escrever, e comecei a pensar numa roupa pra vestir no meu aniversário, que logo logo, tá aí. E me deparei com uma incrível herança de coisas minhas que você deixou pra mim:
- Minhas cor branca-branca-muito-branca - sim, porque antes de você, eu não saia de shorts, saia, vestido.. E morria de vergonha de brilhar no sol.
- Meu guarda roupa - é, apesar dele existir muito antes de eu ter consciencia da sua existencia (e até da minha), esse pedaço da esquerda do quarto me lembra muito você. Pelas duas portas que já foram preenchidas por você e seu vasto vestuário de roupas de dormir e de camisetas bonitas que eu te dei, pelos vestido que eu comprei depois que você passou a ser um pedaço de mim, e do seu desodorante, que hoje, pasme, surgiu no meio dos meus cremes.
- Meus cremes. - Não sei que adjetivo usar pra isso, mas cremes e você, tem tudo a ver. Um dia eu hei de desvincular a sua pessoa a esse hábito.
- Meu chinelo quebrado, que morou na sua casa por muitos meses, e quando chegou na minha casa, quebrou. Ainda não tive coragem de joga-lo fora.
- A salsicha longuete. É, ela que por muitas e muitas vezes foi arremessada ao chão pra caber eu e você na minha little cama de solteiro. Hoje, mesmo aqui, sozinha e solteira, eu não caibo mais na cama junto com ela como era antes.
- Meu livro preferido. Essa é a segunda maior injustiça de todos os tempos da última semana, por que raios, toda vez que eu vejo a capa laranjinha da Marjane Satrapi, eu vejo você?
- O sucrilhos. Esse, me frustrou de uma maneira... Meu companheiro desde a falecida pantufa de coelhinho... Como ousa ser tão seu?
Me assusta. E assusta também, que logo, isso vai ser tão meu, quanto você... Dentro de mim.
(Escrevi ouvindo O Bloco do Eu Sozinho, e é exatamente assim que me sinto agora: passista, linha de frente, rainha de bateria, mestre sala e porta bandeira de mim. Tudo pesando e se equilibrando aqui.)
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
a glória de chorar
Mas é claro que o intuito de começar esse blog não era esse. Vir aqui escrever só quando perco o rumo, ou melhor, quando o procuro. E olha que há um tempo eu tô numa busca meio que incessante... E nem por isso, esse espaço foi pra frente.
Aí entra o momento atual: agora eu sei que tô em busca de algo, admiti que o que eu tanto prezava, o que eu ainda amo tanto, não me fazia bem há algum tempo. E aqui estou: levando a vida devagar, pra não faltar amor... Pra citar os queridos LH.
Confesso que não tem sido fácil, e nem tão difícil quanto algumas vezes me pareceu. Não tenho mais tanto medo quanto tinha alguns dias atras, e nem tanta coragem quanto desejo ter. É um desejo bagunçado de buscar algo, aquela procura de não sei o quê não sei onde. Lá vou eu.
E a triste conclusão: o meu momento perdedor talvez me faça voltar com frequência. E meus futuros netos, quando me lerem, vão achar que eu vivi uma vida a la Maysa, e nunca fui feliz.Por isso todo meu apego com as fotos.
Aí entra o momento atual: agora eu sei que tô em busca de algo, admiti que o que eu tanto prezava, o que eu ainda amo tanto, não me fazia bem há algum tempo. E aqui estou: levando a vida devagar, pra não faltar amor... Pra citar os queridos LH.
Confesso que não tem sido fácil, e nem tão difícil quanto algumas vezes me pareceu. Não tenho mais tanto medo quanto tinha alguns dias atras, e nem tanta coragem quanto desejo ter. É um desejo bagunçado de buscar algo, aquela procura de não sei o quê não sei onde. Lá vou eu.
E a triste conclusão: o meu momento perdedor talvez me faça voltar com frequência. E meus futuros netos, quando me lerem, vão achar que eu vivi uma vida a la Maysa, e nunca fui feliz.
sábado, 19 de novembro de 2011
Passa e fica.
Eu a vejo atravessar o bar
Com a tristeza a lhe guiar
Desce a bebida mais forte
Que o dinheiro dá pra comprar
Como seguirá em frente,
Presa a essa dor?
Mais um gole pra garganta
Pra esquecer o que passou
Com a tristeza a lhe guiar
Desce a bebida mais forte
Que o dinheiro dá pra comprar
Como seguirá em frente,
Presa a essa dor?
Mais um gole pra garganta
Pra esquecer o que passou
Passou, como tudo passa
E algo em tudo o que passa fica
Passou porque tudo passa
Porque tudo se pacifica!
E algo em tudo o que passa fica
Passou porque tudo passa
Porque tudo se pacifica!
Vejo lágrimas no olhar
Vejo gente a rodear
Coisa que ninguém explica
Que o mistério faz calar
Vejo gente a rodear
Coisa que ninguém explica
Que o mistério faz calar
Tá chovendo dentro dela
Quase que um temporal
Remoendo mil mazelas
De um romance sem igual
Quase que um temporal
Remoendo mil mazelas
De um romance sem igual
Como vai fazer agora
Sem o seu amor?
Vai ter que ter o tempo
Pra lidar com o que passou
Sem o seu amor?
Vai ter que ter o tempo
Pra lidar com o que passou
Passou, como tudo passa
E algo em tudo o que passa fica
Passou porque tudo passa
Porque tudo se pacifica!
E algo em tudo o que passa fica
Passou porque tudo passa
Porque tudo se pacifica!
Fica a história pra contar
Fica a lembrança que habita
Onde não se consegue tocar
Onde nada mais se modifica
Fica a lembrança que habita
Onde não se consegue tocar
Onde nada mais se modifica
(Música da banda Scracho)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Um pouco menos distante.
Existe uma diferença entre recomeçar a vida e continuar a viver. Eu acho que escolhi continuar a viver... É lógico que o coração caleja, que eu por tantas vezes prefiro fechar o olho e esquecer, dançar, cantar, rir. Mas não nego o que ainda sinto, o que eu talvez sinta pra sempre. Não sei como é, essa é minha primeira vez assim, assim ruim, e assim bom, assim amor.
Sei que independente do que acontecer, não vou ser do tipo que diz "foda-se, já que deu errado agora eu vou avacalhar", apesar de já ter perdido o controle e a noção uma vez, e falado demais, não é isso que eu vou levar pro resto da vida. Não é isso que me ficou em mim depois daquele dia.
Eu sei que quero ser melhor, porque por não saber o que eu sei agora, e mais um monte de coisa que ainda tenho que aprender, que estou aqui, entre risos e lágrimas. Então, o caminho escolhido é outro, é o do aprendizado, da assimilação... Dia após dia, de pouquinho em pouquinho as coisas vão clareando... E lá vem a tão sonhada maturidade, num horizonte agora um pouco menos distante.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Eu tenho cada vez mais menos respostas, mas também tenho cada vez mais menos perguntas. Disso eu não duvido mais: tenho cada vez menos certezas. Quanto mais o tempo passa, eu fico menos à vontade para alimentar dores e com muito mais preguiça de sofrer. Quanto mais o tempo passa, menos faço por onde adiantar a morte, mais tento fazer por onde aproximar a vida.
Coisas que já me importaram à beça já não me importam nem um pouco, enquanto aquilo que essencialmente sempre teve importância me importa, agora, com mais nitidez. Como deve acontecer com outros tantos aprendizes da coragem, às vezes, cansadíssima das lições e do método pedagógico, eu recordo que a covardia, pelo menos na aparência, é bem mais fácil, bem menos trabalhosa, e, claro, bem mais egoísta, eu já estive lá com muito mais frequência. Mas aí, justo neste ponto, costuma acontecer algo bem bonito: também recordo de cada flor que veio à tona só porque tive coragem de cuidar da semente. Só porque não me acovardei, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.
(Ana Jácomo)
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