quinta-feira, 18 de junho de 2015

Infortúnios

Tenho me segurado: minha vontade é sair porta a fora trocando tudo em miúdos. Bem? Nem por um segundo. Descansar? Jura mesmo que acha que o que preciso é ficar enfurnada neste quarto? Acredita de verdade que todos os sinais de que o pouco de vida em mim tem ficado cada vez mais preto e branco? 
Tenho vontade de gritar. De romper com essa falsa paz. 

Mas tenho ainda mais vontade de morrer. Todos os dias penso em quatro ou cinco jeitos: tragédia coletiva - passaria desapercebida, seria só um nome numa lista, e rapidamente todos conformados "Deus nunca erra a hora"; tiro - durante um assalto, reagiria, pedindo pelo amor dos bandidos que acabassem logo com esse infortúnio que tem sido viver; atropelamento - desse mal não morro, pelo visto... Com esse tanto de ruas calmas e cheias de faróis para pedestres; pular da ponte - ando tão desanimada que nem chegar na ponte eu ando conseguindo, e sempre que chego, mantenho distância, porque essa é minha maior tentação. 

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