quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

14 de novembro de 2014

Passei o sábado pensando em como escrever sobre como era bom olhar a depressão do lado de fora. 
Passei uma semana incrível acompanhada de uma pessoa que me fez sentir o gostoso de como seria ter um irmão. Andei com meu primo pra cima e pra baixo por SP, e nos divertimos pra caralho. Conversamos sobre dezenas de assuntos, rimos, fizemos silencio, e conversamos sobre outra dezena de assuntos. Vi vários amigos queridos, vi pessoas legais. 
Tava tudo ótimo, maravilhoso. Tive convicção de que aquela tristeza que outrora foi tao latente, tava fora de vez da minha rotina.

Chegou o domingo, e eu fui dormir com todos aqueles sentimentos horríveis da crise depressiva. Quietinha no meu quarto todo fechado, ela - a tristeza - veio me visitar. E ela nao vem pra brincar: ela chega com tudo, e vem pra derrubar, como aquelas bebedeiras de quando se tem 15 anos.
Caralho. Mas tava tudo ótimo, nao tava? A minha primeira reação foi chorar. De novo nao, nao agora. Nao esse semestre, nao esse ano. Tô tão cansada... Dormi e prometi pra mim que ia fingir que ela (a depressão) nao tinha dado as caras. 
Segunda, sol: fui pra faculdade, fingi o dia todo que prestava atenção. E é claro que meus "dois cérebros" estavam lá: um pra me dizer que eu estava triste, e o outro pra dizer que é claro que eu nao estava. E assim a semana começou, com o meu maior medo: nao conseguir acompanhar a aula.
Assim passei a terca: sem conseguir estudar de manha... Incomodada na aula da tarde. Pensando em mil coisas durante o documentário que a professora passou. 
Fui embora. 
E diferente de todas as vezes, escolhi nao ficar só: procurei uma amiga e abri a real - tava triste, tava sentindo toda aquela merda de novo. Ouvi coisas lindas, de alguém que sabe do que fala. Senti que a solidão que a depressão me fazia crer que eu sentia nao era real. Senti que talvez tivesse mais forca que ela. Chamei uma outra amiga pra comer alguma coisa. Passei mais algumas horas boas. Falei com minha irmã no telefone, e me lembrei que sou muito amada, e que tem alguém ali por mim, pra me lembrar que eu consigo sim.
Passei um dia inteiro vendo séries, rindo, chorando. 
Fui pra terapia e constatei: eu passei por cima do que achei que seria uma crise. 
E encontrei outra amiga, ri pra caramba. Me meti num curso de bordado. Tomei um cafe, mais risadas, mais historias. 

É, nao posso dizer que essa merda nao vai voltar. Mas acho que tô - finalmente - aprendendo a lidar com ela. 
E nao posso deixar de agradecer imensamente as pessoas que cruzaram comigo essa semana e foram incríveis. Cada palavra trocada foi importante! 
A quem chegou até aqui e não sabia de nada disso: fica a resposta pros infinitos "você tava tao sumida!". Eu tava mesmo. Ta ai o motivo. Essa doencinha chata que eu jurava que nunca ia me pegar. 

Nesse tempo eu entendi uma música do Nando Reis, que não por acaso virou minha preferida, e que vou copiar um pedaço aqui agora, pra encerrar esse texto sem forma, íntimo e talvez desnecessário de ser publicado em algum lugar que não meu blog velho e cheio de poeira:
 
"Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar

Um caminho, o lugar
Pro que eu sou

Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou"


Nenhum comentário:

Postar um comentário