a corrida fez um bem surpreendente, e eu conheci uma amiga da minha amigona, a estela. a naty (a amigona) tem uma energia boa e é o tipo de pessoa que parece estar sempre empolgada com a vida - e isso pra mim hoje em dia é um pequeno acontecimento diário: me permitir ser contagiada por outras pessoas.
parte 1: minha mãe tava com umas ideias de pagar a academia pra mim já tem um tempo. e agora, me vendo voltar uma pessoa quase normal das corridas, ela resolveu insistir no lance da academia.
voz off: a Suzane de algum tempo (não muito tempo, mês passado tá bom) nunca, nun-ca entraria numa academia. por um motivo simples: nunca ter feito isso antes. eu odiava a sensação de fazer algo, principalmente com meu corpo, que nunca tinha feito antes. isso me travava inteira. essa história começou a mudar quando eu de um dia pro outro resolvi aprender a andar de bicicleta.
é. eu não sabia andar de bicicleta. e eu nunca quis aprender. nunca me senti a vontade na minha própria existência a ponto de sair por aí me desequilibrando até aprender. mas aí, meu cunhado um dia zoou minha irmã até não poder mais por ela não saber andar de bike (e ela me disse que ele faz isso sempre) e oferecer a nos ensinar e eu fui pra casa, e dias depois achei que isso era a coisa que eu mais queria no mundo: fazer parte das pessoas que andam de bicicleta. sim, eu estaria lá, dentro do círculo composto por dezenas de milhares de pessoas que andam de bicicletas por aí, em viagens, videoclipes, ciclovias. e desejei ter uma bicicleta bem lindinha com uma cesta.
cheguei na minha irmã, num outro fim de semana, e pedi pra ele me ensinar. a sensação era boa, e engraçada. a cada vez que me passava pela cabeça que eu estava aprendendo, eu me desconcentrava e quase caia, ou caia mesmo. foi indescritível ver a minha sombra sozinha, sem o eric me segurando, na bicicleta. me achei enorme. senti que cabiam milhares de coisas novas na minha existência dali em diante.
parte 2: ontem, minha mãe acordou dizendo que íamos até a academia fazer a matrícula. nossa. que sensação horrorosa. eu senti meu corpo estranho e nem um pouco disposto de sair de onde eu estava. conforme minha mãe foi chegando perto da porta, mais minha angustia crescia. não deu outra: comecei a chorar e pedi pra não irmos ontem. achei que não fosse conseguir. que nunca mais ia sair de casa e nem sentir a sensação boa de andar de bicicleta.
parte 3: hoje acordei surpreendente melhor (mentira. só fiquei assim depois de tomar o remédio da manhã.) e disse pra minha mãe que podíamos ir hoje. na verdade, desde ontem isso martelava na minha cabeça: que o melhor horário pra ir conhecer a academia seria de manhã, mas não muito cedo, porque seria um horário com poucas pessoas pra olharem pra mim. - pausa: isso é o que mais me aflige em coisas novas, as pessoas que já fazem aquilo com o pé nas costas - bom, lá fomos nós, no horário do almoço. conheci a academia, o professor... marquei a avaliação física (pro mesmo mesmo dia, pra não ter erro de que eu iria) e fiz a tal da avaliação. é lógico que meu alongamento é horrível. e o que eu já sabia há tempos foi confirmado e escrito num papel, pra ficar pra história: desde que estou com depressão (que eu considero que seja desde maio de 2013) eu engordei 10kg. cá entre nós, já cheguei a estar mais que 10kg acima do peso, mas prefiro fingir que isso nunca aconteceu.
final: o final é mais um começo... eu vou emagrecer esses 10kg. vou me sentir bem bonita. vou poder usar todas as minhas saias ultra curtas e me sentir lindamaravilhosa como eu me sentia lá nos primórdios, no começo da faculdade. e vou me acertar com o meu big black dog.
pós post: eu gostei desse apelido pra depressão - big black dog - e acho que vou adotar.
pós post 2: quem sabe eu não tiro uma foto de top e shorts pra fazer uma comparação mensal de como eu evolui? pode ser uma ideia. mas esse blog não vai virar fitness e eu não vou falar que vou treinar. nunca. hahahaha
pós post 3: isso deveria ser assunto pra outro post, mas a melhor coisa que esse remédio me trouxe, foi conseguir ler romances. terminei o "tem alguém aí", da marian keyes e tô apaixonada.
agora acabou de verdade.
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