Parece clichê, e é. A diferença é, que eu não vou abandonar um namorado, marido, cidade, ou só um emprego. Estou abandonando 14 sorrisos, que me aguardam todos os dias, ansiosos pela manhã.
São 14 que me abraçam, me divertem, me fazem desenhos, me beijam, gargalham de mim e comigo, me consolam, me contam das suas vidas, e principalmente, contam comigo e confiam em mim.
Não foi fácil dizer tchau. E mais difícil ainda, foi não dizer, que talvez não nos encontremos mais, pelo menos naquela situação. Segurei o choro, mas não a emoção: abracei, beijei, amassei, joguei pra cima, baguncei cabelo. E aí vieram os olhos marejados.
Doeu vê-los agarrados na minha perna, me abraçando pela segunda vez fingindo que era a primeira, doeu ver os mais "independentes" com medo da saudade das nossas "férias", e doeu ver a insegurança dos que confiam na minha companhia pra ler, ter ideias pra escrever, desenhar, cantar, dançar e pular. Doeu pensar que não vou mais chegar nos dias mais frios e ser coberta de abraços, beijos e desenhos apaixonados. Doeu pensar que esses abraços e sorrisos agora serão ser de outra pessoa.
Se eu pudesse dizer algo além de "treinem muito os desenhos nas férias", seria que eles não parassem nunca, pois a sensação de estar em movimento compensa alguns machucados que adquirimos durante a caminhada.

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